"É duro amar escondido, sofrer por quem não merece, passar perto de quem se ama fingindo que não se conhece, mas o mais duro ainda é amar sem ser amado. Por isso ama quem te ama e esquece quem não te quis e quando o passado voltar, sabe amar e ser feliz!"

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Histórias de vidas e uma chave

Os dias correm, ao sabor das horas, congelando o olhar de cada vez que foca nos minutos, na lentidão de cada minuto acompanhado pelo tic tac irritante que entra na cabeça como som hipnotizante que perturba a mente.
Há sol e calor no decorrer dos dias, há uma leveza e uma alegria no exterior, que não existe porém no corpo de quem observa tudo, sem nada esperar. De quem passa pelos dias e a quem todos parecem o mesmo, interminável e cíclico, coberto de uma monotonia em que não se lhe conhece fim.
Não há certezas, embora também já não restem quaisquer dúvidas, a mente cansou de tanto pensamento, de tanta busca incessante pelo certo, pelo equilíbrio… Agora só quer descansar num lugar fresco, vazia de pensamentos e de pesadelos, desamarrada de memórias e desenraizada de ilusões… quer recuperar a sua sanidade e recomeçar! Quer ser uma mente nova, alegre, viva, quer dar ao corpo a que pertence, uma nova oportunidade de se reerguer do cansaço, recuperar energias para percorrer os caminhos que tem pela frente, para enfrentar as escolhas que se lhe opõem e ultrapassar obstáculos. Quer deixar para trás, escondidos num baú, todos os momentos que contribuíram para esse cansaço insuportável, trancá-lo bem e deixar que a chave deslize, por entre os rios de lágrimas até um local inalcançável ao homem, ou que se perca por entre oceanos, cruze destinos por tanta gente percorridos, mas que ninguém lhe dê a importância que ela merece. Que ninguém lhe atribua um significado e que pense apenas que é algo perdido dos tempos antigos, que não tem qualquer valor e a atire de novo ao mar deixando mergulhar com ela, no silêncio dos mares, todas as memórias, histórias, momentos, que poderia vir a desvendar.
E assim “termina” mais uma história que não tem qualquer outro propósito senão a procura da paz e da felicidade, do equilíbrio, com decisões que talvez possam não ser as mais acertadas, mas que são aquelas que fazem sentido no momento e é com elas que se encerram capítulos e se recomeçam novas histórias, porque se não existisse a decisão de deitar a chave ao mar, também não existiria a possibilidade de uma nova história tomar forma.

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