"É duro amar escondido, sofrer por quem não merece, passar perto de quem se ama fingindo que não se conhece, mas o mais duro ainda é amar sem ser amado. Por isso ama quem te ama e esquece quem não te quis e quando o passado voltar, sabe amar e ser feliz!"

domingo, 31 de agosto de 2014

Teorias, desabafos e tudo uma questão de perspetiva

     Dia após dia constróis-te e reconstróis-te. Lutas por ti, lutas pelo teu caminho e procuras lutar pelos outros também. Tentas encontrar um lugar seguro que te faz sentir em casa e, é nele guardas memórias, fotos, momentos e sentimentos que te dão segurança e conforto. Deixas entrar com cuidado aquelas pessoas que por algum motivo se tornaram especiais, aquelas pessoas que cativaste, que te querem bem e te fazem sentir bem. Não fechas a porta a ninguém porque sabes que isso não é correto, mas também não forças para que todas as pessoas entrem. Deixas simplesmente aquela porta entreaberta. Há quem não queira entrar, há quem espreite apenas por curiosidade, há quem entre de repente e se apodere do espaço e permaneça sem ser convidado, sem cerimónias mas que é como se já fizesse parte da casa mesmo antes de se ter dado a conhecer. Há quem entre e vá embora sem deixar um único bilhete ou justificação. Há ainda quem parta, não por vontade própria mas porque as circunstâncias da vida a isso obrigaram e, esse alguém, deixa as saudades cravadas nas paredes, nas mesas e cadeiras partilhadas, saudades que tornam o ar apertado e que quase fazem sufocar e, é por essas pessoas que nós sabemos que vale a pena continuar a manter a porta assim, nem muito fechada nem muito aberta, mas o suficiente para dar liberdade às pessoas de escolher se querem apenas passar, ficar, ou partir.
            São muitos, também, os dias em que a mesma porta que deixaste aberta, é te fechada na cara e é com esses "entalões" que cresces e aprendes a dizer não quando deves dizer, aprendes a pensar antes de agir e a duvidar se deves ou não ter determinado comportamento. Começas a ter a liberdade de te auto construir independentemente dos beliscões que levas, independentemente dos socos no estômago, independentemente do que os outros possam pensar, dizer, ou fazer e independentemente de tudo estar a ruir à tua volta, de parecer que não consegues aguentar mais.
             É no momento em que chegas aos teus limites e entendes que não há nada de enriquecedor, quando percebes que de nada vale já os teus esforços, quando a tua mente chegou à exaustão e o corpo não suporta já o cansaço, que tu páras, olhas à tua volta e percebes que tens que abrandar o ritmo, tens que te renovar, recarregar baterias e ganhar novas forças para enfrentar novos dias, novas lutas e novos desafios. É nesse momento que entendes que muito do que aconteceu no passado não precisa de ser assim tão entendido, não precisa de tamanha dedicação nem merece os teus esforços, assim como também não merece que te sintas derrotado dessa forma. Há então que erguer e, seguir em frente e é o que fazes. Libertas-te da fúria e das mágoas, ergues o corpo, esforças-te por manter a mente sã o mais que podes, inspiras e deixas que o ar saia lentamente dos pulmões e te torne alguém renovado e segues, sem olhar para trás. Esforças-te por ser uma pessoa delicada, dedicada e não recusar aqueles que de ti se aproximam. Segues com a certeza que não podias ser diferente, que a maneira como és está correta e não tem qualquer mal se não puderes fazer mais do que fizeste porque sabes que tentaste de tudo, que as coisas são assim porque não podiam ser de outra maneira e que o que acontece, acontece porque tem que acontecer e porque tem que ser assim, faz parte de um ciclo que é a vida... Erras, cais, aprendes com os erros e novamente te ergues na esperança de não voltar a errar. 
            Não deixes que nada te deite abaixo. Não podes nunca deixar que te humilhem, que ataquem a tua maneira de ser, não podes deixar que te usem e que predigam o teu futuro na tentativa de te ver como um falhado.
            Vai à luta quando as circunstâncias assim o exigirem, defende a tua pessoa e aqueles que te são próximos e quando lutar não for opção, resiste com firmeza, sem hesitações, sem medos, sem cabeça baixa ou olhar esmorecido. Resiste e não recues nunca! Mantém-te firme, ainda que em silêncio! Não tem mal algum porque o silêncio é amigo, é poderoso e não dá aso a arrependimentos nem causa novas guerras. Ir em silêncio nem sempre significa consentir, nem sempre significa desistência mas sim que superas os obstáculos sem que sejas atraiçoado pelas palavras e não te deixas afetar por quem te ofende. Mesmo que por dentro haja revolta, não deixes que esta transpareça para palavras e te faça perder a razão. Não repitas os erros dos outros, mantém-te em silêncio, conserva a pessoa que és.
            Nunca se ouviu falar em nenhuma guerra provocada pelo silêncio. Não percas a dignidade por entre a futilidade de palavras ditas de cabeça quente. Aprende com os teus erros e não voltes a cair neles. Sempre que faltarem as forças ou que a alma se encher de revolta, inspira rápido, expira devagarinho e não esqueças, nunca, quem és e qual o teu propósito e com isto, lembra-te também que nada nem ninguém tem poder suficiente ou sequer o direito de mudar a maneira de ser de uma pessoa. Por mais imponente que seja, por mais forte que pareça, somos todos humanos e todos temos direito à liberdade, ainda que com conta peso e medida e respeitando sempre o outro porque no fundo, todo o ser humano, para ser ser, nasce... e tudo o que nasce morre, portanto, o começo é o mesmo e o fim o mesmo será, no entanto no meio, somos livres de escolher o que fazer de nós e dos caminhos por que optarmos e nada nem ninguém tem o direito de nos retirar do nosso caminho ou obrigar a coisa alguma.

Sem comentários:

Enviar um comentário