A noite prolongou-se, por entre voltas e reviravoltas numa cama que antes trazia algo semelhante a paz...
Passou-se a última noite de uma semana exaustiva com tantas outras noites mal dormidas, entre vários cerrar de pestanas pesadas, com o corpo vencido pela luta constante por encontrar o equilíbrio, a alma dorida e um coração em farrapos, com pequenos monstrinhos a torturar o subconsciente, a causar sustos e sonhos maus.
Por entre lágrimas de pânico e outras tantas de incertezas, incertezas quanto ao caminho a seguir, quanto às decisões a tomar, lá se passou a noite, num desassossego típico de quem não sabe o que fazer, o que querer, o que sentir e, mesmo depois de o sol espreitar pelas cortinas meio opacas, o corpo não resistiu ao cansaço e à dor que após tantas horas deitado, ainda permaneciam e se faziam sentir com semelhante intensidade ao momento em que se deitou.
Então, mesmo com os raios de sol a invadir o quarto, lá cerrou os olhos, uma e outra vez até por fim adormecer.
Com isto, não quis dizer que descansou, pois mais uma vez isso não sucedeu.
Os pesadelos regressaram, o desassossego da alma tomou lugar e não impediu outras tantas voltas na cama.
Apenas se passaram mais umas poucas horas, mascarando o dia que já se fazia longo e, na tentativa de evitar que os monstrinhos nocturnos surgissem em pleno dia e viessem torturá-lo, impedi-lo que realizar as tarefas diárias, viessem tirar-lhe um bocadinho de vida, desgastando a energia que cada raio de sol transmite e tornar o seu dia também num pesadelo, num lugar frio, cinzento, inseguro, assustador e desprotegido, semelhante à noite que tinha passado.
Sem comentários:
Enviar um comentário