
Por vezes, fico com dúvidas acerca da confiança que devo depositar nas pessoas. Não que não confie nelas, ou sinta que não são de confiança, apenas tenho medo. Medo de perder o controlo sobre as minhas palavras, de falar de mais ou falar e (apesar de não ser assunto importante) não sentir que está seguro. Ter sempre a sensação de que o que digo irá ser reproduzido para outro alguém. Medo de dizer coisas sem pensar, (bem me incentivam a fazê-lo) mas quando o faço por vezes corre mal e cada vez o medo de cair no ridículo é maior. Medo também de confiar demais, de os sorrisos, a disponibilidade, as palavras, me atraiçoarem.
A certo ponto, ganho medo de criar laços, de deixar entrar pessoas na minha vida, de me permitir a gostar delas verdadeiramente, de acreditar que desta vez estou no caminho certo e deixar conhecer parte da minha história e do meu "eu". É que afinal, por mais que não queiramos, as pessoas vêm e vão. Aquelas que eu pensava que seriam para sempre, seguiram outros caminhos e deixaram-me apenas as memórias do seu rasto.E depois a quem custa? não é a elas, que nunca se importaram, nunca sentiram o valor da amizade, mas a mim, que as vejo partir, que sinto arrancarem-me um pedaço de alma de cada vez que me deixam e durante dias a fio desejo que voltem, imploro num silêncio gritante, para que surja um recomeço. Dói assistir a todas estas vindas e idas e nada poder fazer, apenas sentir que fico um pouco mais só a cada dia que passa.
É verdade que sozinho se torna difícil aguentar os dias, que é triste não ter com quem partilhar os momentos de alegria, ou sentir falta daquele ombro amigo onde deixamos cair as lágrimas que apertam o coração, ou precisar de um abraço que afaste todo o medo, toda a tristeza e, não o ter.
Contudo, também é triste deixar entrar as pessoas, partilhar histórias, momentos, fazer um pouco parte da vida de cada uma delas, dar o melhor de nós e não ter essa amizade da mesma forma, sentir que há segundas intenções, ou que "amigo" é apenas uma das partes. É triste, ter a sensação que o primeiro olhar nos atraiçoou e que afinal aquela pessoa não é como esperávamos. Ou então, no fim, olhar para o lado e perceber que todas as que pensávamos serem verdadeiras, e que disseram "nunca te deixarei", foram embora, seguiram em frente, por outros caminhos, pois por uma razão ou por outra, nada mais fazia sentido e partiram, sem qualquer intenção de voltar.
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