
Foi o virar de uma página, o fim de um capítulo, o término de uma história: A “nossa” história.
Agora sim, consigo sentir que pertences ao meu passado. Não àquele que volta, de quando em vez e me obriga a lutar com todas as minhas forças contra a maré, para não querer, não pensar, não lembrar… Pertences sim, (e quase que arriscaria a dizer, “finalmente!”), àquele passado que aceito tranquilamente, sem medo de enganar a minha pessoa, sem medo de seguir em frente e que algo me faça recuar novamente, contra a minha vontade.
Se me perguntasses se esqueci tudo o que passámos e tudo o que vivemos se tornou indiferente? Responderia que não, não esqueci nada. Apenas percebi que não vale a pena insistir em algo que tomou outro rumo. Eu percebi, mas mais importante de tudo, o meu coração também percebeu. Aprendeu não a desistir, mas a não lutar por algo que já não tem mais para dar e já não voltaria a ser o que um dia foi. Doía de mais ver passar a felicidade mesmo ao meu lado, e o meu pensamento a insistir focar-se em ti. Perdi demasiado tempo neste frenesim.
Aprendi a aceitar, sem esforço e quase sem me aperceber do que acontecia, o que devia já ter sido aceite há uns bons tempos mas que nunca tinha conseguido. Não desta forma.
Chegou o momento de guardar tudo o que é bom de guardar e, também o menos bom para me servir de lição. Chegou o momento de te deixar ir, pois há muito tempo que és feliz sem mim.
Guardo e relembro todos os momentos, mas agora sem mágoa, sem sentimentos de culpa, sem tristeza ou medo de ficar presa às memórias. A saudade já não me bate à porta da mesma maneira, não sinto o desejo de um recomeço a arder-me no peito como se me quisesse devorar a alma, os meus lábios já não chamam por ti, os meus olhos não te procuram incessantemente. As lágrimas salgadas, já não me molham o rosto na noite escura quando as memórias são revividas, o coração já não bate descontrolado quando me cruzo contigo e as pernas já não tremem quando passo por ti.
Posso agora afirmar com determinação que me sinto em paz comigo, com o que passámos, “contigo”, e com o passado. Sinto-me livre, pronta a receber o presente e deixar o futuro nas mãos de quem saberá o que fazer com ele! Larguei os sonhos irreais, deixei-me de esperanças sem sentido, rodeei-me de sentimentos bons, atividades que me ocupem a mente, amigos verdadeiros, energia, sorrisos, abraços e carinho, agarrei nas malas da vida com afinco e resolvi ir ser feliz noutro lugar!
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